Naqueles objetos eu enxergava centenas de lembranças. Um cheiro de saudade invadiu a casa, as cores pareciam evocar sensações. Eu me via correndo entre os móveis, com água na boca daquele cheiro de comida caseira, pensando no bolo quentinho que já já saía e eu ia ficar horas esperando esfriar... As fotos em preto e branco coladas num velho álbum de família, que eu já sabia de cor. As roupas por coser, os retalhos de tecido que viravam qualquer brinquedo, roupas para minhas bonecas. Os lençóis estendidos no quintal, com aquele “cheiro de casa de vó”, viravam labirintos para minhas brincadeiras infantis. As anáguas que eu vestia por cima da roupa, achando que eram roupas de gala. Ir a padaria comprar sempre “dois pães carteira, dois francês e dois doce” para anotar na cadernetinha. E deitar na cama, que me parecia a maior cama do mundo, colocar a cabeça no mesmo travesseiro que ela e ouvi-la cantar aquelas músicas antigas, ou contar histórias engraçadas, ou falar de coisas que eu não entendia.
Era dia dos pais. Era um momento de eu estar conectada com meu avô, mas aquela casa, com os objetos dela, com o quarto que foi dela vazio me trouxe de volta a sensação de que ela se foi muito cedo. Minha vozinha, que significa tanto pra mim. Eu me torno saudade e me reencontro contigo.
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